A rotina de pais separados traz desafios específicos. Um dos mais delicados: o que fazer quando a mãe (ou o pai) que mora com as crianças impede o outro de vê-las, alegando medo de que algo lhes aconteça — como ocorreu, em muitos lares, durante a pandemia?
O caso típico
Imagine: as crianças moram com a mãe. Os pais não se entenderam sobre as datas de convivência, não quiseram conversar com um mediador e levaram a questão ao juiz — que fixou dias e horários de visita.
Mesmo assim, a mãe, temendo pela saúde dos filhos, passa a impedir os encontros presenciais. O pai volta ao Judiciário exigindo o cumprimento da decisão.
Em situação de normalidade, o juiz mandaria disponibilizar as crianças nas datas fixadas, sob pena de multa por descumprimento de ordem judicial. Mas circunstâncias excepcionais podem tornar inadequadas as velhas respostas. Qual seria, então, a resposta adequada?
O norte: o melhor interesse do menor
Em Direito de Família, o princípio básico é privilegiar sempre o melhor interesse da criança. E aqui há dois direitos dela em jogo:
- O direito de conviver com ambos os pais — caminho essencial para seu desenvolvimento psicológico;
- O direito à saúde e à segurança.
Equilibrar os dois exige criatividade — e ninguém conhece a família melhor do que os próprios pais. Se confirmado um risco real e temporário, cogitam-se encontros virtuais por vídeo; ou encontros presenciais sob compromisso de cuidados específicos. O que não se admite é o impedimento puro e simples, usado como resposta padrão — ou como pretexto.
A solução está mais perto do que parece
A melhor maneira de resolver essa e outras questões é os pais conversarem e decidirem, eles próprios, o que é melhor para o seu grupo familiar. Se precisarem de ajuda, podem recorrer a um mediador — sem transformar cada desentendimento em petição.
Se a conversa não der resultado, restará novamente o juiz. Mas atenção ao padrão que se cria: cada nova disputa judicial entrega a decisão a quem não conhece a família tão bem quanto os envolvidos.
Muitas vezes, as pessoas em conflito não se dão conta de que a solução está com elas. O mediador é treinado justamente para trazer isso à tona — método que remete à velha maiêutica de Sócrates, que, por meio de perguntas, conduzia seus interlocutores a graus mais elevados de consciência.
O diálogo está difícil? A comunicação, cheia de ruídos? Procure um mediador com experiência em família. Acredite: a solução está em você.
