Fazer um testamento é garantir que seus desejos sejam cumpridos após o falecimento: o documento estabelece como os bens serão distribuídos e quem serão os beneficiários. Veja as orientações básicas para elaborá-lo no Brasil.
1. Conheça os tipos de testamento
Testamento público — lavrado em cartório, na presença do tabelião e de duas testemunhas. O tabelião garante que a vontade seja devidamente registrada e as formalidades cumpridas. É o tipo que oferece maior segurança jurídica e o mais usado no Brasil.
Testamento cerrado — escrito pelo testador (ou por alguém a seu pedido) e entregue ao tabelião em envelope lacrado, diante de duas testemunhas. O conteúdo permanece secreto: só será aberto após o falecimento.
Testamento particular — redigido pelo próprio testador, sem tabelião, mas com uma exigência rigorosa: três testemunhas devem assiná-lo junto com o testador, após a leitura do texto para elas, e poderão ter de confirmar sua autenticidade no futuro.
2. Consulte um especialista
Não é obrigatório, mas é altamente recomendável: o descumprimento de qualquer formalidade legal pode invalidar o testamento inteiro. Além disso, a existência de herdeiros necessários (descendentes, ascendentes, cônjuge) impõe restrições — metade do patrimônio, a legítima, é deles por lei. Conhecer essas regras permite tirar o máximo proveito da técnica testamentária.
3. Defina desejos e beneficiários
Antes de redigir, tenha clareza sobre a divisão dos bens, os herdeiros beneficiados e eventuais legados — coisas certas e determinadas destinadas a pessoas ou instituições, como doações para caridade.
4. Escreva com clareza
Evite ambiguidades e termos genéricos que gerem interpretações divergentes. Descreva detalhadamente os bens e a forma de divisão — cada imprecisão de hoje é uma disputa em potencial amanhã.
5. Formalize conforme o tipo escolhido
No público, agende no cartório de notas com seus documentos; no cerrado, entregue o envelope lacrado ao tabelião com as testemunhas; no particular, colha as assinaturas das três testemunhas após a leitura do texto para elas — a lei exige.
6. Guarde bem — e informe que ele existe
No testamento público, o próprio cartório registra o ato em livro próprio: mesmo que a sua cópia se extravie, o documento está seguro. Nos demais tipos, guarde o documento em local seguro e informe aos beneficiários que ele existe e onde está — eles não precisam conhecer o teor.
7. Mantenha o sigilo — e revise periodicamente
Não divulgar o conteúdo evita melindres com quem não foi contemplado e deixa o testador à vontade para alterar o documento no futuro — o testamento é sempre revogável. E lembre-se de revisá-lo quando a vida mudar: casamentos, nascimentos, divórcios e desavenças têm o hábito de tornar testamentos antigos em armadilhas — como mostra a história de Josefina.
Consulte outros conteúdos disponibilizados em nossas redes sociais, tanto em forma de artigos, como em forma de vídeos e podcasts. Inclusive, há bastante material sobre testamento. Dê-nos o prazer de sua visita e curtida! Até mais.
