Alienação parental: quando o filho vira arma no conflito dos pais

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Diz o ditado: “pé de galinha não mata pinto”. Mas a experiência profissional ensina o complemento: pode não matar, mas às vezes deixa cicatrizes — algumas bem profundas.

Ninguém duvida da boa intenção dos pais em prover o melhor a seus filhos. Porém, nem sempre a qualidade dos atos corresponde à intenção, principalmente quando falta equilíbrio entre razão e sentimento. E nada desafia mais esse equilíbrio do que um divórcio com filhos envolvidos.

O tiro que atravessa a criança

Infelizmente, não é raro ver os pequenos arrastados para a cena do conflito dos pais. Na troca de acusações — cada um querendo demonstrar a própria inocência pela “ruptura da família” —, os ex-cônjuges agem como se “chumbo trocado não doesse”. Ignoram que cada tiro dado, antes de chegar ao alvo, atravessa a estrutura emocional dos filhos, produzindo estragos.

O que é alienação parental

Em conceituação simplificada, alienação parental é a consolidação de um sentimento de rejeição da criança por seu pai ou sua mãe, sem embasamento em condutas reais destes — ou em desproporção a elas.

Alguns pontos essenciais para reconhecer o fenômeno:

  • Não se constrói da noite para o dia: é resultado de sucessivos atos sobre a subjetividade da criança, distorcendo sua percepção da realidade. Por isso se fala em “campanha” de desqualificação;
  • O autor não é necessariamente o pai ou a mãe: pode ser qualquer adulto com influência sobre o menor — uma avó, um tio, um padrasto;
  • As formas são variadas: minar a imagem do genitor, dificultar contatos, criar falsas memórias, transformar a criança em mensageira do conflito.

O que a lei permite fazer

Desde 2010, o Brasil tem lei específica sobre o tema (Lei 12.318/2010). Além de conceituar a alienação parental, ela prevê medidas preventivas e corretivas: advertência, ampliação da convivência com o genitor alienado, multa, acompanhamento psicológico e até alteração da guarda.

O fenômeno não nasceu com a lei — é tão velho quanto a família. Mas a lei deu aos advogados e demais profissionais ferramentas concretas de intervenção. E há um detalhe interessante: muitas vezes, saber que essas medidas existem já basta para desarmar a campanha.

Direito e psicologia de mãos dadas

Neste campo, o trabalho é necessariamente interdisciplinar: os profissionais do Direito precisam dos psicólogos para aferir o problema com precisão; e os psicólogos precisam dos advogados para transformar o diagnóstico em medidas concretas de proteção.

Se você percebe sinais de alienação parental envolvendo seu filho, procure orientação especializada o quanto antes — o tempo, aqui, trabalha contra a criança.

Este e outros temas fizeram parte do webinar do último dia 02/07, já disponível no canal FRK Explica, no YouTube: https://youtu.be/DohJC9OMNDM Para o evento, contamos com participação especial da psicóloga clínica Izete Ricelli. Não deixe de conferir. Inscreva-se no canal. Foi feito para você!

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