"Se fosse coisa boa, não seria ex." A frase é comum, e esse julgamento raso produz poucas consequências quando a relação não gerou filhos. Mas, se eles existem, vale a pena ler este artigo até o fim.
O óbvio que precisa ser dito
Havendo filhos, a ex-mulher ou o ex-marido jamais se tornarão ex-mãe ou ex-pai. E outro detalhe importante: não foram os filhos que escolheram essa mãe ou esse pai — foi você quem os escolheu para eles.
Muitas crianças e adolescentes vivenciam a ruptura dos pais justamente no momento em que mais precisam do suporte de ambos — não apenas financeiro, mas emocional. São seres em desenvolvimento. E o pior acontece quando esse espaço de carência, já esvaziado pela desatenção, é preenchido pelo conflito do ex-casal.
Faça um exercício: pense em sua mãe ou em seu pai e no amor que você lhes devota. O que você sentiria se alguém brigasse incessantemente com eles? E se esse alguém fosse o seu outro genitor?
Não precisa gostar. Basta respeitar.
Ninguém é obrigado a conviver com ninguém. Findo o desejo de viver sob o mesmo teto, cada um é livre para seguir seu rumo. Mas, havendo filhos menores, eles precisam ser cuidados por ambos os pais. É simplesmente mais inteligente manter uma relação civilizada com o co-cuidador dos seus filhos: se eles serão um elo permanente entre vocês, é melhor que esse elo ligue duas pessoas que se respeitam.
"Mas é impossível continuar gostando daquela pessoa!" — Ninguém pediu isso. Num primeiro momento, basta respeitar, ou ao menos não querer mal. A raiva é passageira, desde que não seja continuamente alimentada. O fim de um casamento não deveria representar o fim de um relacionamento, mas uma mudança na sua qualidade.
A lição de "História de um Casamento"
O filme da Netflix ilustra com precisão como um divórcio respeitoso descarrila. O casal combina se separar sem litígio; há dor, mas há respeito. Até que a mulher, com medo de ser lesada, busca uma profissional que foca justamente nos seus pontos mais vulneráveis — e, sem perceber, todos os seus atos passam a ser atos de defesa contra ataques imaginados.
Vendo-se tratado como ameaça, o marido responde na mesma moeda, auxiliado por advogado igualmente treinado para o conflito. Está formada a espiral: exaustão emocional, custos altíssimos e as fronteiras da agressão. Os profissionais que "anteviram" o conflito foram, na verdade, seus catalisadores — profetas daquilo que eles próprios ajudaram a criar.
A escolha do advogado define o tom
É natural que o fim de um casamento seja repleto de tensões. Mas tensão não precisa virar guerra. Procure profissionais habilitados a neutralizar o conflito, e não a potencializá-lo — advogados com formação em mediação e técnicas de pacificação. Em muitos casos, o apoio simultâneo de psicoterapeutas é valioso.
É perfeitamente possível desatar as complexas questões de um divórcio "sem dar um único tiro". Assim como não existem bons lutadores sem técnicas de luta, não existem bons pacificadores sem técnicas de pacificação. Fique atento a isso na hora de escolher quem o acompanhará.
